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Selic acima de 10%: Brasil enfrenta juro alto até 2028?

Entenda o impacto da taxa básica de juros na economia brasileira.

Por Portal Destak em 10/02/2025 às 15:20:38

A taxa básica de juros do Brasil, a Selic, permanece acima de dois dígitos há três anos, chegando a 13,35% em fevereiro de 2025. Projeções indicam que a Selic deve se manter nesse patamar por, pelo menos, mais dois anos.

Caso as projeções se confirmem, o período com a Selic acima de 10% atingirá cinco anos, o segundo maior do século XXI. A última vez que a taxa ficou abaixo de 10% foi em fevereiro de 2022.

O mercado prevê o fechamento do ano de 2025 com a Selic em 15%, o maior nível desde 2006. A expectativa é que a taxa retorne a 10% apenas no final de 2028, segundo o Boletim Focus.

Em paralelo, a inflação preocupa. A projeção para o IPCA em 2025 subiu pela 17ª semana consecutiva, chegando a 5,58%. Esse cenário afeta diretamente o crescimento econômico do Brasil.

Apesar do aumento da Selic, a economia brasileira apresentou crescimento positivo nos últimos anos. O PIB subiu 3% em 2022, 3,2% em 2023 e a projeção para 2024 é de 3,5%. O estoque de crédito também cresceu significativamente.

O mercado de trabalho também teve desempenho positivo, com queda da taxa de desemprego de 7,9% para 6,2% entre 2022 e 2024. No entanto, esse crescimento econômico ocorreu em meio à inflação, que pressionou a arrecadação do governo.

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu que a inflação deve permanecer acima da meta até junho de 2025. Em dezembro de 2024, o Brasil voltou a ter o segundo maior juro real do mundo (9,48%), atrás apenas da Rússia.

"O Banco Central precisa elevar os juros para o patamar muito restritivo porque o governo, por outro lado, está acelerando gastos e a maior parte destes gastos não está relacionado a investimento ou a algo que no médio prazo se traduza em aumento da capacidade de oferta da economia."

Claudio Pires, sócio-diretor da MAG Investimentos.

Segundo Pires, o crescimento das despesas públicas, aliado à desvalorização cambial, impulsiona a inflação, forçando o Banco Central a elevar a Selic. O economista Ecio Costa, da UFPE, destaca o impulso fiscal como fator determinante para o crescimento do PIB acima de 3% em 2023 e 2024.

"Em 2023, houve mais de R$ 200 bilhões de déficit fiscal e, em 2024, mais déficit fiscal, o que tem impulsionado muito a economia."

Ecio Costa, economista da UFPE.

Costa aponta também que a queda do desemprego se deve, em parte, a programas sociais que levam famílias a não buscarem trabalho formal, situação considerada problemática para a economia. A modernização do setor de serviços devido à pandemia e o crédito livre impulsionado pelo governo Bolsonaro também são fatores apontados como relevantes para a atividade econômica aquecida.

"O efeito da Selic acima de 10% ou a Selic alta é mitigado pela questão do crédito direcionado. Quanto mais crédito direcionado você tem, a potência da Selic mais alta é inibida, porque tem crédito direcionado mais baixo."

Ecio Costa, economista da UFPE.

*Reportagem produzida com auxílio de IA

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